Arcadismo. Barroco e Classicismo

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Tuesday, September 19, 2006

Os três períodos da literatura



Bom aqui você encontra, muita coisa importante sobre esses três períodos da literatura.

Arcadismo, Barroco e Classicismo.

espero que você escontre tudo que precisa sobre eles aqui.

Seje bem - vindo e volte sempre!!
ARCADISMO
ORIGENS


Se no século XVII, durante o período do Barroco, são construídas igrejas e palácios solenes que causam um misto de respeito e admiração por aquilo que significam - o Poder de Deus e o Poder do Estado - no século XVIII são construídas casas graciosas e belos jardins, anunciando um novo sentido de vida. Ao mármore, ao bronze, ao ouro, preferem-se materiais mais simples. Às cores carregadas das igrejas e dos castelos, preferem-se o pastel, o verde, o rosa. Ao pomposo, se prefere o íntimo e o frívolo.
As manifestações artísticas do século XVII (Arcadismo ou Neoclassicismo e Rococó*) refletem a ideologia da classe aristocrática em decadência e da alta burguesia, insatisfeitas com o absolutismo real, com a pesada solenidade do Barroco, com as formas sociais de convivência rígidas, artificiais e complicadas.
A relação com o Iluminismo

As mudanças estéticas terão por base uma revolução filosófica: o Iluminismo. Em seu primeiro momento, os iluministas conciliarão os interesses da burguesia com certas parcelas da nobreza, através da celebração do despotismo esclarecido - valorizando reis e príncipes que se cercavam de sábios para gerir os negócios público. Mas o aspecto revolucionário do pensamento de Voltaire, Montesquieu, Diderot e outros é a afirmação de que todas as coisas podem ser compreendidas, resolvidas e decididas pelo poder da razão.

Os criadores do Iluminismo (ou Ilustração) já não aceitam o "direito divino dos reis", tampouco a fé cega nos mandatários da Igreja. Qualquer poder ou privilégio precisa ser submetido a uma análise racional. E agora é a razão (e não mais a crença religiosa ) que aparece como sinônimo de verdade. As luzes do esclarecimento ajudam os homens a entender o mundo e a combater preconceitos. As novas idéias assentam um golpe definitivo na visão de mundo barroca, baseada mais no sensitivo do que no racional, mais no religioso do que no civil. Por oposição ao século anterior, procura-se, no século XVIII, simplificar a arte. E esta simplificação se dará na pintura, na música, na literatura e na arquitetura pelo domínio da razão, pela imitação dos clássicos, pela aproximação com a natureza e pela valorização das atividades galantes dos freqüentadores dos salões da nobreza européia.

* Rococó: estilo artístico de fins do século XVIII marcado pela delicadeza e pela ornamentação excessiva
CARACTERÍSTICAS

1) BUSCA DA SIMPLICIDADE

A fórmula básica do Arcadismo pode ser representada assim:

Verdade = Razão = Simplicidade

Mas se a simplicidade é a essência do movimento - ao avesso da confusão e do retorcimento barroco - como pode o artista ter certeza de que sua obra é integralmente simples? A saída está na imitação (que significa seguir modelos e não copiar), tanto da natureza quanto dos velhos clássicos.
2) IMITAÇÃO DA NATUREZA


Ao contrário do Barroco, que é urbano, há no Arcadismo um retorno à ordem natural. Como na literatura clássica, a natureza adquire um sentido de simplicidade, harmonia e verdade. Cultua-se o "homem natural", isto é, o homem que "imita" a natureza em sua ordenação, em sua serenidade, em seu equilíbrio, e condena-se toda ousadia, extravagância, exacerbação das emoções.
O bucolismo (integração serena entre o indivíduo e a paisagem física) torna-se um imperativo social, e os neoclássicos franceses retornam às fontes da antiguidade que definiam a poesia como cópia da natureza.
A literatura pastoril

Esta aproximação com o natural se dá por intermédio de uma literatura de caráter pastoril: o Arcadismo é uma festa campestre, representando a descuidada existência de pastores e pastoras na paz do campo, entre ovelhinhas. Porém, essa literatura pastoril não surge da vivência direta da natureza, ao contrário do que aconteceria com os artistas românticos, no século seguinte. Pode-se dizer que uma distância infinita separa os pastores reais dos "pastores" árcades. E que sua poesia campestre é meramente uma convenção, ou seja, uma espécie de modismo de época a que todo escritor deve se submeter.
Sendo assim, estes campos, estes pastores e estes rebanhos são artificiais como aqueles cenários de papelão pintado que a gente vê no teatrinho infantil. Não devemos, pois, cobrar dos árcades realismo do cenário e sim atentar para os sentimentos e idéias que eles, porventura, expressem.
3) IMITAÇÃO DOS CLÁSSICOS

Detalhe do quadro Passeio em frente ao Jardim Botânico, do espanhol Luis Paret, que cristaliza uma animada cena da vida cortesã, em estilo rococó
Processa-se um retorno ao universo de referências clássicas, que é proporcional à reação antibarroca do movimento. O escritor árcade está preocupado em ser simples, racional, inteligível. E para atingir esses requisitos exige-se a imitação dos autores consagrados da Antiguidade, preferencialmente os pastoris
4) AUSÊNCIA DE SUBJETIVIDADE


Pormenor do quadro de Lancret, Festa Galante, onde predomina uma atmosfera de frivolidade e leve erotismo, bem ao gosto cortesão do século XVIII.
A constante e obrigatória utilização de imagens clássicas tradicionais acaba sedimentando uma poesia despersonalizada. O escritor não anda com o próprio eu. Adota uma forma pastoril: Cláudio Manuel da Costa é Glauceste Satúrnio, Tomás Antônio Gonzaga é Dirceu, Silva Alvarenga é Alcino Palmireno, Basílio da Gama é Termindo Sipílio.
A renúncia à manifestação subjetiva faz parte do "decoro e da dignidade" do homem virtuoso. O poeta deve expressar sentimentos comuns, genéricos, médios, reduzindo suas criações à fórmulas convencionais. O conteúdo passional, a impulsividade e o frenesi íntimo, que costumamos ver no amor, são dissolvidos em pura galanteria, isto é, a paixão normalmente transforma-se num jogo de galanteios.
Quando o poeta declara seu amor à pastora, o faz de uma maneira elegante e discreta, exatamente porque as regras desse jogo exigem o respeito à etiqueta afetiva. Assim, o seu "amor" pode ser apenas um fingimento, um artifício de imagens repetitivas e banalizadas.
O ARCADISMO NO BRASIL


A descoberta do ouro na região de Minas Gerais, em fins do século XVII, significa o início de grandes mudanças na sociedade colonial brasileira. A corrida em busca do metal precioso desloca para serras, até então desertas, uma multidão de aventureiros paulistas, baianos e, em seguida, portugueses. A abundância do ouro gera extraordinária riqueza e os primeiros acampamentos de mineiros transformam-se rapidamente em cidades.
Um esquema de abastecimento para as minas é organizado por tropeiros paulistas. Sorocaba, no interior de São Paulo, torna-se o maior centro de transporte das tropas de gado vacum e muar para Minas Gerais. Ali realiza-se uma grande feira, entre maio e agosto, onde se encontram vendedores e compradores de animais e mantimentos. São paulistas ainda os que avançam cada vez mais para o Sul. Primeiro, desenvolvem roças e fazendas de criação bovina na região de Curitiba. Depois, irrompem nos campos da serra e no pampa rio-grandense para capturar o gado que vivia em liberdade (milhões e milhões de cabeças).
Este sistema de abastecimento das cidades mineiras - já que nada se produzia nelas - integra e unifica as várias regiões do Brasil, criando a noção de que poderíamos constituir um país. Por outro lado, a leva de habitantes do reino, que aqui chega, impõe a língua portuguesa como a língua básica, desalojando a "língua geral", baseada no tupi, e que imperava nos sertões e entre os paulistas. Desta forma, adquire-se também uma unidade linguística.
O ouro parece ser suficiente para todos. Enriquece os mineiros, os comerciantes, os tropeiros e, acima de tudo, o reino português. Centenas de toneladas do precioso metal são levadas para o luxo, o desperdício e a ostentação da Corte. Parte considerável deste ouro vai parar na Inglaterra, financiando a Revolução Industrial, na medida em que o domínio comercial dos ingleses sobre a economia portuguesa era absoluto. Contudo, a partir da segunda metade do século XVIII, a produção aurífera começa a cair e as minas dão sinais de esgotamento.
CONTEXTO CULTURAL

A riqueza gerada pelo ouro amplia espetacularmente a vida urbana em Minas Gerais. Não são apenas aventureiros à cata de pedras preciosas. As novas cidades estimulam serviços e ofícios: uma multidão de carpinteiros, pedreiros, arquitetos, comerciantes, ourives, tecelões, advogados e prostitutas encontram trabalho nestas ruas quase sempre tortuosas e íngremes.
Logo Vila Rica alcança trinta mil habitantes e Portugal apresta-se a montar uma poderosa rede burocrática, capaz de controlar toda a vida social e impedir o contrabando do ouro e a sonegação dos impostos. A necessidade de organização administrativa e a obsessão portuguesa pela aparelhagem estatal levam à nomeação de milhares de funcionários civis e militares.
Este imenso setor público e mais os mineradores e comerciantes enriquecidos, os tropeiros endinheirados, os profissionais liberais e os trabalhadores livres rompem o dualismo senhor-escravo que até então caracterizara a nossa estrutura social. Novas classes aparecem e dão complexidade ao mundo urbano que se forma.
A Função Social da Literatura

A existência citadina (medíocre até o século anterior) aproxima as pessoas através da vizinhança. traduz-se em relações sociais, em concorrência, em novos estímulos. A literatura, a exemplo da música, vai funcionar, nesta circunstância, como elemento de ligação social, de conversação e de prestígio.
Nos saraus - muito comuns na época - pessoas ilustradas vão ouvir recitais de poemas e pequenas peças musicais, emitirão opiniões, trocarão impressões e acabarão constituindo o núcleo de um público regular e permanente, interessado em arte, sobretudo, na arte literária.
Surgem Academias e Arcádias, associações de intelectuais - geralmente poetas - com objetivos e princípios literários comuns. Pela primeira vez, no país, temos uma noção de escola artística, entendida como a articulação de um grupo numeroso de letrados em torno de valores estéticos e ideológicos.
OS AUTORES DO ARCADISMO

A) POESIA LÍRICA

1. CLÁUDIO MANUEL DA COSTA (1729 - 1789)

VIDA: Nasceu em Mariana, filho de um rico minerador português. Estudou com os jesuítas no Rio de Janeiro e formou-se em Direito na cidade de Coimbra. Voltando para o Brasil, estabeleceu-se em Vila Rica, exercendo a advocacia. Ocupou altos cargos na máquina burocrática colonial. Quando foi preso por suposta participação na Inconfidência, pela qual manifestara vagas simpatias, era um dos homens mais ricos e poderosos da província. Deprimido e amedrontado, acabou suicidando-se na prisão.
Obras poéticas (1768), Vila Rica (1839)
2. TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA (1744-1810)

Vida: Filho de um magistrado brasileiro, nasceu, no entanto, em Porto, Portugal. A família retornou ao Brasil quando o menino contava sete anos. Aqui estudou com os jesuítas, na cidade da Bahia. Com dezessete anos foi para Coimbra estudar Direito. Por algum tempo exerceu a profissão de advogado em terras portuguesas, mas em 1782 foi nomeado Ouvidor de Vila Rica, capital de Minas Gerais. Ocupou altos cargos jurídicos e em 1787 tratou casamento com Maria Joaquina Dorotéia de Seixas, a futura Marília. Ele tinha mais de quarenta anos e ela era pouco mais do que uma adolescente. A detenção pelo envolvimento na Conjuração Mineira impediu o enlace. Ficou preso três anos numa prisão no Rio de Janeiro e depois foi condenado a dez anos de degredo em Moçambique. Lá se casou com a filha de um rico traficante de escravos e voltou a ocupar postos importantes na burocracia portuguesa. Morreu no continente africano em 1810.
Obras: Marília de Dirceu (Parte I - 1792; Parte II - 1799; Parte III - 1812), Cartas Chilenas (1845)
3. SILVA ALVARENGA (1749-1814)

Vida: Nasceu em Vila Rica, filho de um músico mulato. Fez Humanidades no Rio e estudou em Coimbra. Ardoroso defensor de Pombal, escreveu um poema heróico-cômico, O desertor, para exaltar as reformas do primeiro-ministro. Voltou ao Brasil em 1776 e continuou fiel as suas idéias iluministas. Mudou-se de Vila Rica para o Rio de Janeiro, onde animou uma importante sociedade literária. Suspeito de conspiração, foi detido, em 1794, permanecendo preso por três anos até receber o indulto real. Dois anos após, publicou Glaura. Morreu no Rio de Janeiro. Obra: Glaura (1799)
Identificado com a filosofia da Ilustração, a exemplo de outros árcades, Manuel Inácio da Silva Alvarenga, em Glaura, também cultiva uma lírica de inspiração galante. Trata-se de um poema composto por rondós* e madrigais*, onde o poeta (Alcindo Palmireno) louva a pastora Glaura, que a princípio parece se esquivar desse canto amoroso. O sofrimento de Alcindo acabará sendo recompensado pela retribuição do afeto, porém Glaura morrerá em seguida, deixando o pastor imerso em depressão.
B) POESIA ÉPICA

l. BASÍLIO DA GAMA (1741 -1795)


Vida: Basílio da Gama nasceu em Minas Gerais e, órfão, foi para o Rio de Janeiro estudar em colégio de jesuítas. Estava para professar na Companhia quando ela foi dissolvida por ordem de Pombal. Abandonou-a e, após um tempo em Roma, foi para Portugal, a fim de freqüentar a Universidade de Coimbra. Preso por suspeita de "atividades jesuíticas", salvou-se do desterro dirigindo um poema de louvor à filha do Marquês de Pombal. Este se tornaria seu protetor, especialmente depois da publicação de O Uraguai, em 1769, que colocava o autor dentro dos padrões ideológicos do Iluminismo. Obra: O Uraguai
O esforço neoclássico do século XVIII leva alguns autores a sonhar com a possibilidade de um retorno ao sentido épico do mundo antigo. No entanto, numa era onde as concepções burguesas, o racionalismo e a Ilustração triunfam, o heroísmo guerreiro ou aventureiro parecem irremediavelmente fora de moda. A epopéia ressurge, é verdade, mas quase como farsa.
Compare-se, por exemplo, a grandeza do assunto de Os Lusíadas - os notáveis descobrimentos de Vasco da Gama - com o mesquinho tema de O Uraguai - a tomada das Missões jesuíticas do Rio Grande do Sul pela expedição punitiva de Gomes Freire de Andrade, em 1756 - para se ter uma idéia das diferenças que separam as duas obras.
A Estrutura do Poema

Índios missioneiros arrebanhando cavalos com boleadeiras.
A pobreza temática impele Basílio da Gama a substituir o modelo camoniano de dez cantos por um poema épico de apenas cinco cantos, constituídos por versos brancos, ou seja, versos sem rimas.
2. SANTA RITA DURÃO (1722-1784)

Vida: Nascido em Mariana, estudou no Colégio dos Jesuítas na Rio de Janeiro até os dez anos, partindo depois para a Europa, onde se tornaria padre agostiniano. Durante o governo de Pombal, foi perseguido e abandonou Portugal. Trabalhou em Roma como bibliotecário até a queda de seu grande inimigo, retornando então ao país luso. Ao Brasil não voltaria mais, e sua epopéia é uma forma de demonstrar que ainda tinha lembranças de sua terra natal. Obra: Caramuru (1781)

O poema épico Caramuru é publicado doze anos depois de O Uraguai, contudo não existe uma continuidade entre ambos. Nem formal, nem ideológica. Ao contrário de Basílio da Gama, admirador de Pombal, Santa Rita Durão lembra o período pombalino como uma época de horrores. Assim, a visão anti-jesuítica de seu antecessor cede lugar a uma narrativa de inspiração religiosa.
Bibliografia
BARROCO
O SURGIMENTO




O Barroco procura solucionar os dilemas de um homem que perdeu sua confiança ilimitada na razão e na harmonia, através da volta a uma intensa religiosidade medieval e da eliminação dos conceitos renascentistas de vida e arte. Em parte, isso não é atingido e as contradições prosseguiriam.

Assim:
- o Renascimento recusa os valores religiosos e artísticos da Idade Média;- o Barroco tenta inutilmente conciliar a visão medieval da vida e da arte com a visão renascentista.
Cumpre ressaltar a diferença entre o Barroco dos países protestantes e o dos países católicos. O Barroco protestante - que não nos interessa aqui - toma uma direção burguesa e secular*. Já o Barroco católico, em sintonia com a Contra-Reforma, adquire uma conotação extremamente religiosa, quando não mística.

Como era de praxe na época, os estilos artísticos dominantes nas metrópoles foram copiados nas colônias e assim o Barroco das nações ibéricas irrompe na América Latina como um transplante cultural. A matriz desse movimento radica-se na Espanha, até porque Portugal - entre 1580 a 1640 - está sob o jugo do reino vizinho.

As condições históricas espanholas são excepcionais para o desenvolvimento de um estilo artístico marcado pelo dilaceramento e pelo pessimismo. No início do século XVII, o país vive uma crise terrível: guerras perdidas na Europa, a perseguição à burguesia judaica, a ausência de indústrias, a violência da Inquisição e o colapso da agro-pecuária, dada a expulsão dos mouros que trabalhavam de maneira eficiente no campo.
Nem o ouro nem a prata, arrancados das colônias americanas, conseguem amenizar o declínio da outrora grandiosa potência. A pobreza se espalha pela nação e uma profunda religiosidade impregna o cotidiano de todas as classes sociais, da nobreza aos excluídos. Ou seja, a mesma situação de desconforto econômico e de mal-estar cultural que viria ocorrer na Bahia de Gregório de Matos Guerra, algumas décadas depois.

Neste panorama de decadência e fracasso emergem as obras de Góngora, Quevedo, Gracián e Calderón de la Barca que levarão a literatura barroca espanhola a um extraordinário patamar artístico, influenciando decisivamente poetas e prosadores latino-americanos do século XVII.


* Secular: referente ao século, à vida profana.


CARACTERÍSTICAS


* Arte da Contra-Reforma *




A ideologia do Barroco é fornecida pela Contra-Reforma. Estamos diante de uma arte eclesiástica, que deseja propagar a fé católica. Em nenhuma outra época se produz tamanha quantidade de igrejas e capelas, estátuas de santos e documentos sepulcrais. As obras de arte devem falar aos fiéis com a maior eficácia possível, mas em momento algum descer até eles. Daí o caráter solene da arte barroca. Arte que tem de convencer, conquistar, impor admiração.
Paralelamente, em quase todas as partes, a Igreja se associa ao Estado, e a arquitetura barroca, antes somente religiosa, se impõe também na construção de palácios, com os mesmos objetivos: causar admiração e temor. Arquitetura e Poder identificam-se da mesma forma que a Igreja legitima o "direito divino dos reis", isto é, o absolutismo despótico nos impérios católicos.



* Conflito entre Corpo e Alma *



A partir do Maneirismo instaura-se na arte um conflito fundamental que mesmo o Barroco não consegue equacionar de todo: o conflito entre os prazeres corpóreos e as exigências da alma. O Renascimento definira-se pela valorização do profano, do secular, pondo em voga o gosto pelas satisfações mundanas.
Frente a estas conquistas, a atitude dos intelectuais maneiristas e barrocas é extremamente complicada. Não podem renunciar ao "carpe diem"* renascentista, isto é, ao "aproveitar o dia", ao viver intensamente cada minuto. Mas não alcançam a tranqüilidade para agir assim, pois a filosofia da Contra-Reforma, antiterrena, teocêntrica, medieval, fustiga os seus cérebros, oprime os seus corações.
O dilema centra-se, portanto, na oposição vida eterna versus vida terrena; espírito versus carne. Dentro do Maneirismo e dentro do Barroco não há possibilidade de conciliação para estas antíteses. Ou se vive sensualmente a vida, ou se foge dos gozos humanos e se alcança a eternidade.
Esta tensão de elementos contrários causa uma profunda angústia, demonstrável por uma permanente dialética: o artista lança-se aos prazeres mais radicais; em seguida sente-se culpado e busca o perdão divino; mas o mundo é uma presença palpitante, levando o homem novamente aos pecados da carne. Assim, o criador barroco ora ajoelha-se diante de Deus, ora celebra as delícias da vida. Os dois exemplos pertencem a Gregório de Matos Guerra:


(A)A vós correndo vou, braços sagrados,Nessa cruz sacrossanta descobertos,Que, para receber-me, estais abertosE, por não castigar-me, estais cravados.


(B)Com vossos três amantes me confundo,Mas vendo-vos com todos cuidados,Entendo que de amante e amorosaPodeis vender amor a todo o mundo.


* Carpe diem: Frase procedente das Odes do poeta latino Horácio, no sentido de usufruir as coisas concretas: "Enquanto falamos, foge o tempo inimigo / aproveita o dia sem acreditar o mínimo no amanhã."



* A Temática do Desengano *



Principal motivo da estética barroca, o desengano (desencanto, desilusão) tem um forte substrato religioso porque está centrado na desvalorização da vida humana frente à morte e à eternidade. Manifesta-se através de certas idéias repetidas exaustivamente:
- A vida é sonho. Esta célebre expressão, título de uma peça do espanhol Calderón de la Barca, traduz o caráter ilusório da existência terrena que não passa de uma realidade aparente, de um jogo, de um teatro, já que a única e verdadeira vida é a eterna. Ou como diz o próprio Calderón:
Que é a vida? Um frenesi.Que é a vida? Uma ilusão,uma sombra, uma ficção.
- A vida é breve. A trajetória do homem guarda uma lamentável brevidade. O tempo voa, destruindo os prazeres, a beleza e a felicidade profana. Nada é estável ou permanente, tudo se desmancha, tudo muda. "Viver é trilhar curta jornada" - diz o espanhol Quevedo.
Cindido entre a alegria da existência e a preparação para a morte, o artista barroco assume uma consciência trágica da avassaladora passagem do tempo. Mas também, diante das coisas transitórias, surge a contradição: vivê-las, antes que terminem, ou renunciar ao terreno e entregar-se à eternidade? Gregório de Matos estabelece um paralelo entre a efemeridade pessoal e a permanência de um rio:
Vás-te, mas tornas a vir,eu vou, e não torno mais.Vazas, e tornas a encher:em mim tudo é fenecer,tudo em mim é acabar.
- Viver é ir morrendo aos poucos. Esta percepção de que o sopro da vida já traz em si a própria finitude surge como fonte de grande angústia para a alma barroca. Cada minuto vivido é um minuto de aproximação do abismo sombrio. A idéia da morte torna-se onipresente porque não há como esquecê-la. No texto de Quevedo o começo e o fim se confundem:
O berço e a sepultura são o princípio da vida e o seu fim. E por isso, a um juízo inconsciente, os dois têm entre si as maiores distâncias. A visão desenganada, (ao contrário) não apenas os vê como próximos, senão juntos: sendo verdade que o berço começa a ser sepultura, e a sepultura, berço da vida póstuma. Começa o homem a nascer e já a morrer; por isso, quando morre, acaba ao mesmo tempo de viver e de morrer.




* Estilo Complicado e Ornamental *




Se a harmonia formal dos clássicos correspondia ao equilíbrio interior e à sensação de segurança histórico-social, a forma conflituosa e exagerada dos barrocos traduz um estado de mal-estar causada pela oposição entre os princípios renascentistas e a ética cristã, entre a lascívia dos novos tempos e a tradição medieval. Traduz também o gosto pela agudeza do pensamento, pela artificialidade da linguagem e pelo desejo de causar assombro no leitor.
A audácia verbal não tem limites: comparações inesperadas, antíteses, paradoxos, hipérboles, inversões nas frases, palavras raras, estabelecendo um estilo retorcido, contraditório, por vezes brilhante, por vezes incompreensível e de mau gosto. Vejamos alguns exemplos:
Metáfora: Purpúreas rosas sobre Galatea / A aurora entre lírios cândidos desfolha. (Góngora) (A luz rosada do amanhecer banha o corpo branco da jovem Galatea)
Antítese: A aurora ontem me deu berço, a noite ataúde me deu. (Góngora)
Paradoxo: Amor é fogo que arde sem se ver; / é ferida que dói e não se sente; / é um contentamento descontente; / é dor que desatina sem doer. (Camões)
Jogo verbal: O todo sem a parte não é todo; / a parte sem o todo não é parte; / mas se a parte o faz todo, sendo parte, / não se diga que é parte sendo todo. (Gregório de Matos)
Por fim, assinale-se o gosto dos poetas barrocos pelo soneto, seguindo a tradição renascentista.



O BARROCO NO BRASIL



SURGIMENTO NO BRASIL


Alguns historiadores consideram Prosopopéia (1601), de Bento Manuel Teixeira, a primeira obra de tendência barroca na literatura colonial. Calcado em Os Lusíadas, do qual é uma versão mais do que anêmica, o poema celebra os feitos do capitão e governador da Capitania de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho.
O texto insípido e de louvação à autoridade não tem sinais barrocos visíveis. Custa a crer que se possa considerá-lo marca de qualquer coisa, a não ser de uma tendência de literatura de bajulação, relativamente comum em nossa história cultural. De fato, só poderemos falar em elementos barrocos na segunda metade do século XVII, com as presenças de Gregório de Matos e Antônio Vieira.



A Questão do Transplante Cultural



Ainda que alguns críticos e historiadores encontrem lampejos de genialidade e nacionalismo nas manifestações literárias dos séc. XVII, não podemos deixar de considerar a mediocridade quase que geral deste vasto período de cem anos. Poucos autores (Gregório de Matos e Antônio Vieira) resistem a uma leitura crítica.
Encontramo-nos perante textos que portam, no mais das vezes, a marca da submissão frente aos poderosos do tempo e do servilismo aos padrões estéticos portugueses. É como se o estatuto colonial se infiltrasse na literatura, dando-lhe uma feição também colonizada.
O Engenho, tela de Frans Post.
Compreende-se o fato: o sistema educacional - base de toda a atividade letrada - reproduz as idéias mais conservadoras vindas de Portugal. Este orgulhoso império afundara ainda no século XVI, perseguindo e expulsando sua burguesia empreendedora (quase toda judaica) e tornando-se um país parasitário. A partir de então o pensamento cristaliza-se no reacionarismo. A Inquisição triunfante liquida os inimigos e tudo aquilo que tiver a imagem do novo inquieta, amedronta e tende a ser condenado.
Como todo o pensamento capaz de questionar a realidade brasileira é considerado subversivo e demoníaco, ensina-se um saber abstrato, distante da realidade, centrado muito mais no brilho da oratória que no estudo dos problemas do país. Além disto, a instrução é privilégio de minorias. Apenas os filhos de senhores-de-engenho freqüentam as instituições jesuíticas.
Acrescente-se ao teor abstrato e ao elitismo de ensino, o clima aterrorizante de repressão - montado pelas autoridades lusas - e se terá um quadro aproximado da pobreza da vida intelectual, da ausência de livre debate e livre trânsito de idéias, da falta de democratização cultural.
Em tais condições se torna impossível o nascimento de uma literatura singular que nos expressasse e documentasse. Nesse século, predomina o pastiche*. Impedidos pela ordenação intelectual de atingirem uma verdadeira identidade, nossos letrados irão buscar no transplante estético e ideológico os fundamentos de seus objetos artísticos.
Imitaremos os europeus: Camões, Góngora e Quevedo. Mesmo assim, apesar da cópia contínua, já se vislumbra na literatura de um Gregório de Matos, por exemplo, alguns traços de diferenciação da literatura européia. Elementos particulares da realidade colonial passam a percorrer seus poemas, a ponto de certos estudiosos reivindicá-lo, hoje, como nosso primeiro escritor.


*Pastiche: imitação artística de baixo nível.




O BARROCO NAS ARTES PLÁSTICAS E ARQUITETURA




Outro será o destino das artes plásticas e da arquitetura. Passada a fase do Barroco baiano - suntuoso e relativamente pesado -, essa concepção artística e ideológica alcança o século XVIII, propagando-se pela província de Minas Gerais. Ali viver-se-á a grandeza de um estilo já condenado no resto do mundo. Ali, esse estilo se transformará em ostentação e competição dos novos-ricos, possibilitando a emergência de um fantástico grupo de artistas - mulatos em sua maioria - que se apropriarão dos valores visuais europeus e o refundirão, sob uma ótica brasileira.
A religiosidade festiva e exterior de uma população mais ou menos aburguesada, o gosto pelo decorativo e a concorrência das Ordens Terceiras e Irmandades, cada qual querendo ter a igreja mais bonita e ornamentada, geram um gosto coletivo pela arte e pela arquitetura que nunca mais se repetiria no Brasil.
Verdade que os trabalhos mais originais - resultantes da fusão entre o estilos eruditos e o estilo popular - acontecerão já no final do século XVIII e no início do XIX, em meio à decadência aurífera e a uma tormentosa sensação de mal-estar social. Alternando traços e linhas, mudando formas e cores, um conjunto de mulatos - Aleijadinho à frente - elabora uma arte de profunda autenticidade brasileira. E que causa espanto até os nossos dias por sua força dramática.




AUTORES BARROCOS




GREGÓRIO DE MATOS GUERRA (1636-1695)

VIDA: Gregório de Matos Guerra nasceu na Bahia, filho de família abastada e poderosa, de fortes raízes em Portugal. Fez seus primeiros estudos no colégio jesuítico da Bahia. Com dezesseis anos, ingressou na Universidade de Coimbra, onde viria a se formar em Direito. No ano de 1663, tornou-se juiz, sendo nomeado para um lugarejo do interior português. Em seguida, tornou-se juiz em Lisboa, casando-se com a filha de um importante magistrado e da qual enviuvou em 1678. Retornaria ao Brasil já com quarenta e seis anos, recebendo a tonsura (ordens eclesiásticas menores) e assim virando padre. Dois anos depois foi destituído da condição clerical por levar uma "vida sem modo de cristão".

Ainda na década de 80, casou-se outra vez, com Maria de Póvoas. Logo foi denunciado ao tribunal da Inquisição por comportamento escandaloso e por causa das sátiras. O prestígio de sua família impediu-o de ser condenado, mas em 1694, com sessenta e um anos, por seus poemas ferinos que atingiam a tudo e a todos (chamava os habitantes da Bahia de "canalha infernal"), foi desterrado para Angola. De lá pode retornar, no ano seguinte, com a condição de morar no Recife e não mais na cidade da Bahia. Nesse mesmo ano - 1695 - veio a morrer de uma malária contraída na África. Seus poemas ficaram dispersos e continuaram circulando em folhas soltas e na tradição oral, sofrendo alterações impossíveis de serem identificadas com precisão até hoje.


Gregório de Matos deixou uma obra poética vasta, desigual e, muitas vezes, de duvidosa autoria. Afrânio Peixoto fez uma edição crítica de seus poemas, mas não conseguiu recolher uma série deles, dispersos em bibliotecas ou conservados pela tradição popular. Muitos dos versos atribuídos ao poeta baiano certamente foram escritos por autores anônimos, assim como um sem número de textos criados pelo "Boca do Inferno" - alcunha pela qual era conhecido - perderam-se para sempre.
Com os poemas disponíveis, podemos apontar três matizes básicas em sua produção:


Poesia Religiosa


A oscilação da alma barroca entre o mundo terreno e a perspectiva da salvação eterna aguça-se em Gregório de Matos Guerra. Até meados do século XVIII, nenhum homem de letras pode fugir a uma educação contra-reformista, pois os jesuítas controlam todo o sistema de ensino. Desta forma, ilustrar-se só será possível dentro dos preceitos da Companhia de Jesus, o que acontece com o futuro poeta.
Por outro lado, Gregório é filho de senhores de engenho, quer dizer, dos verdadeiros senhores da terra, dos que possuem todos os direitos, inclusive o de vida e morte e que, por isso, podem exercer o estupro ou o simples domínio sexual sobre índias e escravas. Estão presentes nele, portanto, os elementos contraditórios da época: a licenciosidade moral e a posterior consciência da infâmia, seguida do arrependimento.
Na maior parte de seus poemas religiosos, o poeta se ajoelha diante de Deus, com um forte sentimento de culpa por haver pecado, e promete redimir-se. Trata-se de uma imagem constante: o homem ajoelhado, implorando perdão por seus erros, conforme podemos verificar no primeiro quarteto do soneto Buscando a Cristo:
A vós correndo vou, braços sagrados,Nessa cruz sacrossanta descobertos,Que, para receber-me, estais abertos,E, por não castigar-me, estais cravados.




Poesia Amorosa


Seguindo o modelo dos barrocos espanhóis, Gregório apresenta uma visão cindida das relações amorosas. Ora seus poemas tendem a uma concepção "petrarquista"*, isto é, à idealização dos afetos em linguagem elevada; ora a uma abordagem crua e agressiva da sexualidade em linguagem vulgar.
* Petrarquista: referente ao poeta italiano Petrarca, (1304-74), cuja obra difunde por toda a Europa o gosto pela poesia amorosa e pelo soneto.
A) O amor elevado
Exemplo dessa perspectiva é um dos sonetos dedicados a D. Ângela, provável objeto da paixão do poeta e que o teria rejeitado por outro pretendente. Observe-se o jogo de aproximações entre as palavras anjo e flor para designar a amada. Observe-se também que, ao mesmo tempo tais vocábulos possuem um caráter contraditório (anjo = eternidade; flor = brevidade). Como sugere um crítico, esta duplicidade de Angélica lança o poeta em tensão e quase desespero ("Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.")




B) O amor obsceno-satírico



Se o erotismo é a exaltação da sensualidade e da beleza dos corpos, independentemente da linguagem, que pode ser aberta ou velada; se a pornografia é a busca do sexo proibido e culpado através de imagens grosseiras e chocantes e valendo-se quase sempre de uma forma vulgar; a obscenidade situa-se noutra esfera. Ela não visa ao sensualismo refinado do erotismo nem à excitação cafajeste da pornografia. Não se trata, pois, de uma estimulação dos sentidos, e sim uma espécie de protesto contra o sistema moral, contra as concepções dominantes de amor e de sexo, e contra o próprio mundo. Às vezes, a obscenidade toma o sentido de um culto rude e subversivo do prazer contra os tabus que impedem a plena realização da libido*.



Poesia Satírica



O desengano barroco tem como uma de suas conseqüências o implacável gosto pela sátira. Resposta a uma realidade que os artistas julgam degradada, a poesia ferina e contundente não perdoa nenhum grupo social. Ricos e pobres são fustigados pelas penas corrosivas de Góngora, de Quevedo, como mais tarde o fará o brasileiro Boca do Inferno. Esta ironia cáustica e por vezes obscena é traço marcante do barroco ibérico.
Quando retorna ao Brasil, já quarentão, em 1682, Gregório de Matos encontra uma sociedade em crise. A decadência econômica torna-se visível: o açúcar brasileiro enfrenta a concorrência do açúcar produzido nas Antilhas e seu preço desaba. Além disso, uma nova camada de comerciantes (em sua maioria, portugueses) acumula riquezas com a exportação e importação de produtos. Esta nova classe abastada humilha aqueles que se julgam bem nascidos, mas que, dia após dia, perdem seu poder econômico e seu prestígio.




ANTONIO VIEIRA (1608-1697)



Vida: Nasceu em Lisboa e veio menino (seis anos) para a Bahia com seu pai, alto funcionário da Coroa. Estudou no colégio dos jesuítas, onde brotaria sua vocação sacerdotal, ordenando-se aos 26 anos. Em 1640, prega o seu audacioso sermão Contra as armas de Holanda. No ano seguinte, já reconhecido, volta para Lisboa, tornando-se o grande pregador da Corte. Entre os seus aficionados, encontrava-se o jovem rei D. João IV. A pedido dele, executou várias funções políticas e diplomáticas.
Sentindo-se fortalecido, Vieira passou a defender abertamente o retorno dos judeus ("gentes de nação", como eram chamados) para que injetassem capitais na economia portuguesa. Embora apoiado por D. João IV e tendo a confiança dos cristãos-novos, foi duramente combatido pela Inquisição que terminou por indispô-lo com a autoridade real. Assim a revolução capitalista que ele propunha para o seu país também naufragou. Voltando ao Brasil, em 1652, numa espécie de exílio involuntário, fixou-se no Maranhão, onde despertaria o ódio dos colonos por sua encarniçada defesa dos índios. Por nove anos enfrentou os escravistas, terminando por ser expulso do Maranhão e recambiado para Lisboa, juntamente com outros missionários.





O Vigor da Oratória



Apesar do alto nível de sofisticação filosófica e teológica, Vieira prefere - ao pregar em público - deter-se nos "pormenores da vida", seja dos indivíduos, seja das sociedades, analisando as incontáveis paixões humanas, atacando os vícios (corrupção, violência, pedantismo, etc.), e elogiando as virtudes (religiosidade, modéstia, caridade, etc.). Isso lhe dá um enorme campo de assuntos e garante o caráter variado e inesperado dos sermões.




Bibliografia


O Renascimento surgido na Itália , no século XV , espalhou-se por toda a Europa já no século seguinte . Isso aconteceu em virtude da rapidez da divulgação cultural , a partir da invenção da Imprensa . O trabalho de recuperação e tradução dos textos antigos , desenvolvido pelos humanistas , contribuiu para a substituição gradativa do ensino religioso pelo ensino laico nas universidades . A cultura deixou de ser exclusividade dos membros da Igreja , atingindo camadas mais amplas da burguesia emergente , que a encarava como um meio de destaque social , substituidor dos títulos de nobreza e do sangue aristocrático que ela não possuía . As descobertas científicas recentes voltavam a privilegiar o racionalismo , indicando uma tendência antropocêntrica que ressaltava ainda mais a distância em que o mundo se encontrava da era medieval .Convencido e consciente de sua capacidade , o homem , agora , preocupava-se com a sua realidade diária , concreta , humana , terrena e menos com a idéias de morte com a salvação da alma . Evidentemente , isso não significava uma onda de ateísmo declarado , mas uma mudança de se tornar a "medida de tosas as coisas ".Em Portugal , o Quinhentismo ( Classicismo ) teve início em 1527 , quando do retorno do poeta Sá de Miranda de Itália , onde viverá vários anos para estudos . Na bagagem , trazia novas técnicas versificatórias , o "dolce stil nuovo ". Além de introduzir no país o decassílabo ( medida nova ) em oposição à redondilha medieval ( 5 ou 7 sílabas ) , que passou a ser chamada de medida velha , trouxe uma nova conceituação artística . Devemos entender , portanto , que Sá de Miranda não trouxe para Portugal apenas um verso de medida diferente , mas um gosto poético mais refinado .Juntamente com o decassílabo , passaram a ser cultivadas novas formas fixas de poesia , como o soneto ( 2 quartetos e tercetos , com metrificação em decassílabos e rimas em esquemas rigorosos ) , a ode ( poesia de exaltação ) , a écloga ( que tematiza o amor pastoril ) , a elegia ( revelação de sentimentos tristes ) , a epístola ( carta em versos ) . É preciso lembrar que a substituição do verso redondilha ( medida velha ) , característico da Idade Média , pelo decassílabo ( medida nova ) não se deu de forma imediata , pois ambas as medidas conviveram por grande parte do século XVI .Os acontecimentos marcantes da história portuguesa do século XVI ( a liberdade predominante durante a dinastia de Avis , as grande navegações ) , contribuíram para o considerável desenvolvimento cultural do país . a obra de Gil Vicente já era um exemplo disso , mas ao longo do século a tendência se acentuou ainda mais . São marcas dessa consolidação : a estruturação de usos da língua portuguesa ; o surgimento ou a reafirmação de autores de produção regular ( como João de Barros , Damião de Góis , Fernão Mendes Pinto nos estudos históricos ; Sá de Miranda , Antônio Ferreira e Luís de Camões no terreno da literatura ) ; o incremento na literatura de autores estrangeiros consagrados ( como Francisco Petrarca , Dante Alighieri e Giovanni Boccaccio ) .Mas , nesse século , também se deram os fatos que marcaram oficialmente o fim do Classicismo . No ano de 1580 , ocorreu a anexação de Portugal pela Espanha , situação que perduraria por 60 anos . No mesmo ano , a morte do maior autor clássico português , Luís de Camões , encerrava o Classicismo . A partir dessa data , Portugal passará a viver o estilo Barroco , sob a influência espanhola .O antropocentrismo da sociedade européia descrito acima deságua na identificação com co$6ceitos da cultura greco-latina , que passa a ser valorizada , resgatada , estudada e facilmente assimilada e incorporada a hábitos e tradições e à visão de mundo de artistas e intelectuais europeus . A cultura greco-latina se sobrepõe ao quadro espiritual herdado da idade Média Ao classicismo opõe-se o Romantismo. A arte classicista procura a pureza formal, o equilíbrio, o rigor - ou, segundo a nomenclatura proposta por Friedrich Nietzsche: pretende ser mais apolínea que dionisíaca.


O caráter básico do classicismo é exatamente a influência do modelo greco-latino . Daí se originou a atitude racionalista , que via a razão como bem supremo a ser atingido e cultivado .Do racionalismo advêm a busca de equilíbrio , entre forma e inspiração , e a presença da harmonia e da clareza na obra de arte , como conseqüência de uma sociedade crente em si mesma , porque otimista quanto ao presente e futuro do homem .A herança greco-latina determinou a presença dos deuses do Olimpo ( mitologia grega ) nas obras literárias da época . O respeito e culto à natureza vieram como conseqüência da adoção da teoria aristotélica do homem natural . Belo passou a ser encarado como conceito associado ao Bem ( nobreza de se$6timentos ) . Um componente fundamental foi o universalismo , trazido a partir de dois fatores básicos : uma nova mentalidade científica voltada para a reflexão em torno do lugar do Homem no mundo ( pesquisas de Leonardo da Vinci , Copérnico , Kepler , Giordano Bruno e outros ) e uma preocupação maior com o bem coletivo . Esses traços identificadores do classicismo renascentista definiram um caráter fundamental : o antropocentrismo . Os arroubos místicos medievais foram momentaneamente afastados .A expressão artística buscava a linguagem clara , simples , sem excessos , como correspondente do equilíbrio na maneira de encarar o mundo . A expressão dos sentimentos permaneceu , mas estava submetida a uma tentativa de explicação racional , de explanação lógica .


Autor




Luís Vaz de Camões



Este poeta do classicismo português possui obras que o coloca a altura dos grandes poetas do mundo. Seu poema épico Os Lusíadas divide-se em dez cantos repartidos em oitavas. Esta epopéia tem como tema os feitos dos portugueses: suas guerras e navegações. Dono de um estilo de vida boêmio, este escritor lusitano foi freqüentador da Corte, viajou para o Oriente, esteve preso, passou por um naufrágio, foi também processado e terminou em miséria. Seus últimos anos de vida foram na mais completa pobreza. A bagagem literária deixada pelo escritor é de inestimável valor literário. Ele escreveu poesias líricas e épicas, peças teatrais, sonetos que em sua maior parte são verdadeiras obras de arte. Criador da linguagem clássica portuguesa, teve seu reconhecimento e prestígio cada vez mais elevados a partir do século XVI. Faleceu em Lisboa, Portugal, no ano de 1580. Seus livros vendem milhares de exemplares atualmente, sendo que foram traduzidos para diversos idiomas ( espanhol, inglês, francês, italiano, alemão entre outros). Seus versos continuam vivos em diversos filmes, músicas e roteiros.



Obras

1572- Os Lusíadas

Rimas

1595 - Amor é fogo que arde sem se ver.
1595 - Verdes são os campos.
1595- Que me quereis, perpétuas saudades?
1595 - Sobolos rios que vão.

Teatro

1587 - El-Rei Seleuco.
1587 - Auto de Filodemo.
1587 - Anfitriões
Bibliografia